Ciência e Personalidade

O que determina a nossa personalidade? Podemos mudá-la?

O espectro introversão e extroversão é um elemento bastante determinante da nossa personalidade. O que é a personalidade e o quanto ela pode ser alterada?

Como introvertidos, algumas das nossas características podem ser bastante desafiadoras. Que atire a primeira pedra quem já não se pegou desejando ser mais extrovertido em alguma ocasião específica? Mas na verdade mudar algumas características nossas não é algo tão simples assim. O fato é que nós nascemos com diferenças fundamentais de temperamento ou predisposição para agir de determinadas formas. Isso significa que, por mais que desejemos agir de forma diferente, isso terá para nós um determinado custo, uma vez que não é a nossa predisposição natural.

“A Natureza está frequentemente escondida, é por vezes vencida, raramente extinguida.” –Sir Francis Bacon


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Ao que chamamos de temperamento e qual a sua relação com caráter e personalidade?

Segundo o escritor David Keirsey, no seu livro Please Undestand Me II, “existem dois lados da personalidade, um é o temperamento e o outro é o caráter. Temperamento é a configuração da nossa inclinação, enquanto caráter é a configuração dos nossos hábitos. Caráter é disposição, temperamento é predisposição. Assim, por exemplo, raposas são predispostas – nascidas para – invadir galinheiros, castores para represar rios e corujas para caçar a noite. Cada uma destas criaturas, a não ser que seja presa em um ambiente desfavorável, desenvolve o hábito apropriado de caçar galinhas, construir represas e caçar a noite.

Posto de outra forma, nossa mente é uma espécie de computador que tem o temperamento como seu hardware e o caráter como seu software. O hardware é a base física sobre a qual o caráter emerge, imprimindo uma identificável impressão digital em cada atitude e ação individual. Esta consistência subjacente pode ser observada desde as primeiras idades – algumas características mais cedo que outras – muito antes das experiências individuais ou contextos sociais (software particular de cada um) tenham tido tempo ou ocasião para determinar a pessoa. Assim, temperamento é a inata forma da natureza humana; caráter, a forma emergente, que desenvolve-se através da interação entre o temperamento e o ambiente.”


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E a introversão e extroversão onde entram nisto? 

No início da década de 1900, Carl Jung começou a desenvolver a teoria de que nós nascemos com um património de temperamento que nos localiza em algum lugar numa linha contínua entre muito introvertido e muito extrovertido. Ele acreditava haver uma base fisiológica para estas disposições. A ciência está atualmente a descobrir que essa sua intuição estava certa.  Ele apercebeu-se de que somos mais capazes de nos adaptar ao mundo se nos movimentarmos com facilidade, sendo mais introvertidos ou mais extrovertidos conforme necessário. Jung era de opinião que é prejudicial empurrar uma criança para fora do intervalo natural do seu temperamento, afirmando que tal iria “violar a disposição inata do indivíduo”.

Ele reconheceu, no entanto, que os seres humano não parecem funcionar desta forma: somos orientados ou puxados num sentido mais do que no outro. Ele concluiu que todos nós possuímos um “nicho natural”, no qual funcionamos melhor. Ele acreditava igualmente que, excluindo os dois extremos,  qualquer localização do continuo é saudável. Para Jung a nossa capacidade para nos movimentarmos no continuo pode melhorar com o grau de consciência relativamente ao processo.

A culpa é também dos nossos genes 

É importante também acrescentar que o nosso temperamento é relativamente estável ao longo do tempo e tem influência genética. Os investigadores também defendem que o temperamento possui duas outras qualidades básicas: varia de indivíduo para indivíduo e aparece desde os primeiros momentos de vida.

Para um introvertido, isso significa que sua predisposição em agir de determinadas formas e suas preferências não se alterarão. Você pouco provavelmente deixará de apreciar ou de necessitar estar sozinho para recarregar suas baterias, precisará de tempo para processar mentalmente as coisas, preferirá trabalhar sozinho do que em grupo, tenderá sempre a reflexões profundas… entre outras coisas. Fazer isto também nos custaria um bom preço. Seria como ser dextro e tentar usar a mão esquerda todo o tempo. Nós poderemos até fazê-lo, mas isso irá requerer um esforço a mais para nos concentrarmos na tarefa que está sendo executada.

Dito isso, devemos começar por assumir que não há nada de errado conosco, nossas preferências ou os nossos comportamentos. Isso faz parte do hardware e do software que nascemos com ele e que não há nada de anormal em nenhum de nós.


Referências:

Please Understand Me II: Temperament, Character, Intelligence do autor David Keirsey .

As Vantagens de Ser Introvertido Marti Olsen Laney


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Sobre o autor

Marta Leite

Marta Leite
Eu sou uma mãe, esposa, Life e Business Coach. Uma introvertida intuitiva – INFJ - dos Tipos Junguianos. Uma apaixonada, entusiasmada e curiosa pelo Desenvolvimento Humano.

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