Alta Sensibilidade em Positivo: 10 Estratégias para Gerir o Traço

Alta Sensibilidade em positivo: 10 estratégias para gerir o traço

ALTA SENSIBILIDADE EM POSITIVO: 10 ESTRATÉGIAS PARA GERIR O TRAÇO

A alta sensibilidade em si é uma característica neutra. A maneira como ela vai impactar a nossa vida depende do nosso nível de autoconhecimento e do modo como lidamos com o traço.

Alta Sensibilidade em Positivo: 10 Estratégias para Gerir o Traço

“Eu gostaria de não ser tão sensível!”; “É muito difícil para uma PAS viver neste mundo.”; “Vejo mais prejuízo do que lucro em ser PAS.”. Costumo ouvir muito estas frases ou outras parecidas. Elas expressam o fato de que muitas pessoas altamente sensíveis encaram o traço como um problema, uma carga que contribui para tornar sua vida mais difícil.  Sentem-se diferentes, frágeis, esquisitas e profundamente incomodadas (ou até mesmo envergonhadas) com muitas das características ligadas à alta sensibilidade: a intensidade emocional, a facilidade para o estresse; a reação aos estímulos; o menor nível de energia disponível, etc.

Embora eu compreenda este sentimento, tendo a discordar fortemente desta percepção. Como gosto de repetir alta sensibilidade em si é uma característica neutra. A maneira como ela vai impactar a nossa vida depende do nosso nível de autoconhecimento e do modo como lidamos com o traço. Como tudo na vida, as características associadas à alta sensibilidade também apresentam seus aspectos positivos e negativos.

Vejamos um exemplo: A capacidade de pensamento em profundidade – que constitui uma das quatro características essenciais do traço – pode ser utilizada de modo negativo, para ruminar situações passadas, imaginar catástrofes futuras ou para se perder em pensamentos procrastinadores. Mas, também, pode ser vivida no seu aspecto positivo ajudando a aprofundar assuntos relacionados à nossa profissão ou nos levando a explorar vários interesses como a arte, a filosofia, temas sociais, etc. E o mesmo vale para todas as demais características que costumam estar presentes nas pessoas altamente sensíveis.

RESPONSABILIDADE E PODER DE ESCOLHA

Como disse antes, a alta sensibilidade é simplesmente um traço de personalidade, uma característica genética que é compartilhada por um grupo de pessoas.  Em princípio é uma qualidade. Contudo, se você não aprende a gerir a sua característica pode realmente chegar a percebê-la como um fardo. Quando não é reconhecida e equilibrada a alta sensibilidade pode chegar a causar muitas dificuldades e, ocasionalmente, gerar uma predisposição para determinados tipos de doenças e transtornos. Mas podemos – e devemos – aprender como nos cuidar a fim de evitar essa possibilidade.

Gosto muito de utilizar a palavra responsabilidade, porque ela carrega em si as 

palavras “resposta” e “habilidade”. E é deste modo que encaro o trabalho de gerir a alta sensibilidade. Trata-se de desenvolver a habilidade em responder aos desafios de ser uma pessoa altamente sensível e, com isso, permanecer a maior parte do tempo no lado positivo do traço.

Desenvolver esta habilidade exige da pessoa altamente sensível compromisso para aprender o máximo possível sobre o traço e disposição para investigar seus condicionamentos e mudar hábitos e visão de mundo.  Pode não ser fácil, mas trata-se de um passo indispensável para fazer as pazes com a sua sensibilidade. Nunca me canso de repetir que a gestão do traço é a chave para um ajuste continuado da alta sensibilidade na sua vida.

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CERTO, MAS COMO FAZER ISSO?

Como disse antes, aprender a gerir a alta sensibilidade pode não ser uma tarefa fácil. Para começar porque é uma tarefa multifacetada, que inclui, de maneira integrada, tanto o seu corpo como a sua psique. E depois porque é um trabalho individualizado, uma vez que cada pessoa é única e a alta sensibilidade é apenas um aspecto dessa mesma individualidade. Mesmo assim, gostaria de apresentar algumas sugestões que podem lhe ajudar neste caminho.

Aceite a si mesmo(a) e ao seu traço de personalidade:

Antes de iniciar qualquer estratégia, é necessário que você aceite a realidade (e a normalidade) do seu traço. Você não está inventando desculpas para si mesmo(a), não está doente e nem sofre de um transtorno. Apenas possui um traço de personalidade distinto da maioria das pessoas e que lhe dota de algumas características específicas. Simples assim. A alta sensibilidade é parte integrante de quem você é. Aceitar este aspecto do seu ser é um passo essencial para aprender como gerir sua sensibilidade e para equilibrar os aspectos mais difíceis do traço.

Informe-se sobre o assunto:

Ainda que não seja abundante já existe informação disponível sobre a alta sensibilidade no Brasil. Aqui mesmo neste site você encontrará muitos artigos sobre o assunto.  Vá além, pesquise, leia livros, procure em outros sites, visite o grupo PAS do Facebook…  O importante é ter clareza de que quanto mais você souber sobre a alta sensibilidade, melhor compreenderá a si mesmo(a) e às suas reações.

Trabalhe no autoconhecimento

O passo seguinte é refletir sobre a maneira como estas características gerais associadas ao traço se expressam em você. Lembre-se: a alta sensibilidade se manifesta de maneira distinta em cada pessoa. Assim sendo, você precisa se observar para conhecer o modo particular como se expressa a sua sensibilidade: Você é perfeccionista? Magoa-se facilmente? Tem dificuldade para dizer não? Tem muitas alergias? Tem dificuldade para atuar bem quando se sente observado(a)? É fortemente afetado(a) por brigas e discussões e faz o possível e o impossível para evitá-las? Observe suas reações e desenvolva estratégias para lidar com aquilo que lhe incomoda.

Identifique as situações que lhe produzem estresse

Observe, especialmente, as ocasiões em que estava com fome, ou após uma noite mal dormida ou quando sentiu que cometeu um erro e/ou atuou mal. Preste atenção às suas reações físicas – musculatura contraída, dores de cabeça, mãos e pés frios, insônia, fome repentina ou falta de apetite, beber em excesso, etc. Observe também os seus pensamentos: o seu diálogo interno e aquilo que você se diz sobre si mesmo(a). Procure relacionar essas reações com o seu momento de vida.  Anote essas observações num diário e identifique seus principais estressores.  Depois, aprenda técnicas específicas para relaxamento e gerenciamento do estresse.

Estruture seu cotidiano:

Muitas opções em aberto e muitas decisões a tomar no dia-a-dia podem ser algo estressante para uma PAS. Sei que parece contraditório, mas ter uma rotina estruturada ajuda-nos a relaxar, na medida que nos libera da tarefa de decidir o que priorizar a cada momento. Isso nos deixa mais equilibrados para lidar com possíveis imprevistos. Se você sente que há muitas coisas fora de controle na sua vida, comece por estruturar pequenas rotinas. Inicie com algo simples como ir para a cama todos os dias no mesmo horário, por exemplo. Modificar pequenos hábitos fará com que gradualmente se torne mais fácil alcançar os maiores.

Cuide bem da sua energia e do seu tempo.

Isto implica em dois movimentosO primeiro é o identificar suas necessidades, prioridades e desejos (o já falado trabalho de autoconhecimento). O segundo movimento consiste em atuar de acordo com estes anseios. Para isto é necessário aprender a priorizar você e suas necessidades. Isto pode incluir uma serie de ações como:  delegar tarefas; desistir de bancar o/a mártir; dizer não quando necessário; reservar um tempo para estar a sós, a fim de assimilar os estímulos recebidos ao longo do dia: encontrar tempo para meditar, etc. Estas são, apenas, algumas das atitudes que devem ser incorporadas à sua rotina a fim de assegurar que você tenha a energia necessária para atender aos seus sonhos e anseios.

Cuide da sua alimentação:

Escolha uma dieta anti-inflamatória, composta principalmente por frutas e vegetais, peixes gordurosos, carnes magras e óleos saudáveis. Prefira alimentos quentes, úmidos e nutritivos. Alimentos frios e secos funcionam como um estímulo violento que agride o seu sistema digestivo. Uma alimentação saudável e nutritiva pode fazer uma grande diferença no seu bem-estar físico e emocional, uma vez que a alimentação se encontra intimamente relacionada com o aumento ou diminuição de determinados hormônios que influenciam os nossos estados de ânimo (como, por exemplo, o cortisol relacionado ao estresse e a serotonina associada ao prazer e ao relaxamento).

Inclua algum exercício físico na sua rotina:

O exercício constitui outra das ferramentas indispensáveis para a gestão do traço da alta sensibilidade. O movimento ajuda a reduzir a tensão acumulada no corpo, através da liberação de endorfinas – neurotransmissores cerebrais que transmitem sinais elétricos para o sistema nervoso – que produzem uma sensação positiva de bem-estar. As endorfinas são diminuídas pelo estresse e impulsionadas pela atividade física.

Um pequeno lembrete: Por conta da intensa atividade do seu cérebro e sistema nervoso central, as PAS geralmente dispõem de menos energia que os demais. Por isso é importante que você dimensione com cuidado a frequência e a intensidade da sua atividade física. O objetivo é energizar você e não lhe deixar mais cansado(a). Também, evite realizar sua atividade física à noite, porque leva algum tempo para o seu sistema nervoso se acalmar e não prejudicar a qualidade do seu sono.

Contate com a natureza   

Nós PAS temos uma afinidade especial com a natureza. O contato com a natureza é profundamente calmante para a maioria de nós, ajudando-nos a liberar as energias alheias que vamos assimilando ao longo do dia. Caminhar através de espaços verdes pode colocar o cérebro em um estado meditativo, permitindo que você preste atenção ao mundo ao seu redor e criando a calma necessária para a reflexão. Dê uma volta num parque, observe a beleza ao seu redor e sinta a tensão e o estresse se evaporarem.

Fortaleça seus limites

Este é um ponto essencial, uma espécie de calcanhar de Aquiles em vários aspectos da nossa vida. Muitas PAS têm problemas com limites frágeis: envolvem-se em situações que não são de sua responsabilidade; permitem que os outros (e suas opiniões) as perturbem em demasia; falam mais do que gostariam; deixam-se levar pelos problemas dos outros; criam intimidade depressa demais e, por vezes, com as pessoas erradas, etc. Um ponto importante é aprender a dizer não. Superar o hábito de dizer sim a tudo e a todos é uma atitude indispensável se você quiser gerir melhor a sua sensibilidade e diminuir o nível de estresse em sua vida.

A MELHOR DICA DE TODAS: DESENVOLVA SENSO DE HUMOR

Esta talvez seja a estratégia mais importante e mais poderosa de todas. Nós PAS costumamos levar tudo e todos (principalmente a nós mesmos) muito à sério. O humor e o riso rompem barreiras, quebram “gelos” e constroem pontes. Desenvolver a capacidade de rir de nós mesmos, ao invés de carregar nas tintas do drama, ajudará a liberar muitas das tensões que carregamos e, de quebra, tenderá a facilitar nosso relacionamento com as pessoas que nos cercam.

Creio que ficamos por aqui com as ferramentas. É claro que existem muitas e muitas mais. Porém as ferramentas não são o mais importante e sim a sua disposição em cuidar melhor de si mesmo(a). Só então as técnicas e dicas podem ser úteis. Sugiro que você escolha uma ou duas que façam mais sentido para você e comece devagar o trabalho de gerir a sua sensibilidade. Você já sabe que quando coloca coisas demais para fazer corre o risco de se sentir saturado(a) e terminar desistindo. Por isso, é bem melhor ir avançando pouco a pouco e aprendendo a cuidar com carinho de você e da sua alta sensibilidade.

E, se você quiser aprender mais sobre o seu traço de personalidade e também conhecer um conjunto estruturado de técnicas para gerir a alta sensibilidade no cotidiano, clique aqui para ter acesso gratuito às primeiras aulas do meu curso online “Alta sensibilidade e você: conheça e aprenda a lidar”.

Muito obrigada por sua leitura e até o próximo mês.

Beijos e bênçãos,

Rosalira Santos

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