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Aspectos da sua personalidade não podem ser bloqueios para sua realização pessoal

É preciso se reconciliar com particularidades da nossa própria personalidade, como é o caso da introversão, para avançar em objetivos pessoais.
É preciso se reconciliar com particularidades da nossa própria personalidade, como é o caso da introversão, para avançar em objetivos pessoais.
Por: Dora Oliveira
Lidar consigo mesmo é uma das mais desafiadoras das tarefas. E cedo ou tarde sentimos a necessidade de nos reconciliarmos com aspectos e “marcas registradas” da nossa própria personalidade para conseguirmos viver determinados objetivos pessoais.
Na infância, eu era o tipo de menina elogiada pelo silêncio. Na escola, a mais quieta da sala. “Parabéns, sua filha é a aluna mais comportada!”; “Ela não dá trabalho!”, diziam admiradas as professoras do primário. Sou de um tempo em que os professores tinham carinho especial pelas crianças de boletim azul (notas boas: 8,9,10!) e que não conversavam com os coleguinhas do lado. Época em que a professora pedia para o mais comportado da turma anotar em um caderninho o nome dos mais falantes e bagunceiros (adivinhem quem fazia listinhas dedo-duro?)
Educação e comportamento infantil era coisa séria lá em casa. Adulto falava, criança calava.”Quando mamãe e pai estiveram conversando com os adultos, você não pode interferir. É falta de educação”, escutava sempre dos meus pais antes de sairmos para visitar vizinhos e parentes. Mas quer saber? Tudo isso era muito fácil para mim. Desde cedo sentia que era natural e tranquilo estar em quietude e silêncio. Não era ruim e achava bem divertido somente ouvir. Achava interessante prestar atenção nos assuntos dos adultos.  Gostava de observá-los mesmo sem participar ou entender exatamente sobre seus debates e conversas. Eu realmente apreciava ficar na sala só para ouvir.
Entretanto, um detalhe importante transformou meu natural silêncio em frustração pessoal. Acontece que quando chegou a minha hora, o meu tempo de poder falar, senti falta de alguém na vida para me avisar: “Ei, menina, a partir de agora você está crescendo e é bom abrir a boca para falar, para se defender, para dizer o que quer, para discordar e deixar claro o seu sim e o seu não!” Pois é, não existiu ritual de introdução ao modo expressivo e comunicador de ser. Mesmo assim, eu cresci sabendo que em mim havia uma pessoa sempre com vontade de exteriorizar-se, de dizer, falar, manifestar, criar, explicar. Só não sabia como. As palavras… os sons das palavras… tão ouvidas, guardadas nos pensamentos, mas pouco verbalizadas.
Ao longo dos anos, as palavras não ditas alimentaram minha imaginação e me fizeram sonhar que um dia eu poderia expressá-las de alguma forma. Alguém para lê-las seria incrível! Foi assim que decidi ser profissional da escrita. Crescer ouvindo da família e dos amigos: “você é muito quieta”, “você é muito calada”, “você não fala” e escolher graduação em Jornalismo parecia no mínimo esquisito. Passar os 4 anos de faculdade ouvindo “muito quieta”, “muito calada”, “não fala” despertou outro conflito. Mas no final, de uma turma inicial de 40 estudantes, lá estava eu entre os cerca de 20 novos jornalistas. Ingressar no mercado de trabalho e ouvir dos colegas de trabalho: “quieta”, “calada”, “não fala”. Insistir e, ao longo do percurso, entender que “falar muito” não é sinônimo de comunicação. Até para um introvertido e introspectivo por natureza é possível desenvolver habilidades como a expressão oral.
Levou tempo para compreender que meu amigo de infância tão estimado, o silêncio, não era bloqueio, mas sim minha grande fonte de reserva de energia para me abastecer quando eu precisasse de preparo para entrar no campo da interação. Guardo com carinho o dia que fui designada para proferir mini-palestras para grupos de funcionários no meu trabalho. Evidente que precisei me preparar psicologicamente e tecnicamente para isso. E ainda assim passava muito nervoso antes de estar diante das pessoas. Ao final de cada apresentação, a sensação era de ter sido desplugada da tomada (energia abaixo de zero!). Muitos dirão: “Grande coisa ter feito isso!”. Mas sabe o isso significa para as personalidades quietas? #introvertidosentenderão.
Ainda hoje fico imaginando várias coisas que gostaria muito de realizar. Muitas vezes acho que, por ser introvertida, eu não sou CAPAZ de fazer. Na verdade, são coisas completamente diferentes!  Ser CAPAZ de fazer determinada coisa boa parte das vezes depende do quanto você se interessa e procura aprender aquela habilidade, do quanto você persiste e procura praticar, mesmo não alcançando a perfeição. Perfeito ninguém é, mas SER MAIS REALIZADO na vida é bem possível.

Autora do artigo: Dora Oliveira

Dora Oliveira“Jornalista, casada, 36 anos, e desde muito pequena atraída pelas palavras. Por mais paradoxal que seja, descobri que a introversão não inviabiliza nossa comunicação. Atualmente eu encontro na escrita minha melhor forma de expressão pessoal.”

 

 

 


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Eu sou Dora Oliveira, sou jornalista, casada, 36 anos, e desde muito pequena atraída pelas palavras. Por mais paradoxal que seja, descobri que a introversão não inviabiliza nossa comunicação. Atualmente eu encontro na escrita minha melhor forma de expressão pessoal.

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