Por que as pessoas altamente sensíveis se sentem solitárias

Pessoas altamente sensíveis e o paradoxo da busca por conexão e o sentimento de solidão. Como é esse sentimento e como lidar com ele?

Papo real: Ser altamente sensível, às vezes, pode ser muito solitário.

Me tome como exemplo. Sou uma pessoa altamente sensível, o que significa que respondo muito mais fortemente a tudo ao meu redor: sons, toques, mudanças sutis e, é claro, pessoas e emoções. Isso pode me fazer sentir “diferente”, para dizer o mínimo. E eu anseio por uma conexão profunda e confortável com as outras pessoas. Mas, como a maioria das PAS – sejam introvertidas ou extrovertidas – eu também preciso de tempo sozinha para evitar a hiperestimulação e manter a minha saúde.

Tudo isso pode funcionar em conjunto para criar um ciclo vicioso de solidão. E, por muito tempo eu não consegui me livrar dele. E isso é algo muito sério. No momento, as taxas de solidão estão no auge. E, como os seres humanos são criaturas sociais, a solidão pode ser bastante debilitante.

A pesquisa mostra que a solidão pode causar problemas de saúde, estresse, ansiedade, depressão ou mesmo comportamentos de risco  como comer, fumar ou beber em excesso. E, quando você é sensível por natureza, sua própria personalidade pode moldar sua solidão, fazendo com que ela assuma uma forma mais persistente.

Vejamos agora por que as PAS tendem a ter dificuldades com a solidão e o que podemos fazer para interromper o ciclo.

Por que ser sensível pode parecer tão solitário

Pessoas altamente sensíveis são conectadas de maneira diferente, não apenas ao nível do cérebro e do sistema nervoso, mas também em termos das nossas necessidades sociais e emocionais. Desejamos conexões profundas e significativas com outras pessoas, mas nem sempre é fácil obtê-las. Por quê? Algumas razões …

Nossa necessidade de solidão pode se tornar nosso estado padrão. 

Quando você é projetado para processar profundamente tudo o que acontece ao seu redor, fica mais facilmente estimulado e estressado, mesmo por coisas comuns com as quais as outras pessoas parecem não ter problemas. E uma das melhores curas (ou forma de prevenir) a hiperestimulação é simplesmente passar algum tempo sozinho(a).

Embora seja necessária para a nossa saúde mental, às vezes a solidão pode nos fazer sentirmo-nos muito isolados. Isto vale para  as PAS extrovertidas e, talvez surpreendentemente, também para as introvertidas, especialmente pelo fato de que precisamos tanto ficar sozinhos.

Não me interpretem mal: eu prospero com a liberdade que a solidão oferece. No entanto, quando o tempo a sós dedicado ao autocuidado vira um hábito predeterminado, nós podemos perder oportunidades de criar intimidade. É importante honrar nossas necessidades psicológicas, mas também é importante lembrar que não devemos existir sozinhos.

Nós captamos as emoções das outras pessoas – E isso pode fazer sentir que estamos carregando o peso do mundo. 

Para a maioria das pessoas solidão significa ausência de alguma coisa. Mas para as PAS  a solidão, às vezes, pode significar exatamente o contrário. Para nós, a solidão pode parecer uma superabundância de emoções, de sentir demasiado em contraste com outras pessoas ao nosso redor, que não compartilham dessa plenitude.

E as PAS são facilmente influenciadas pelas emoções das outras pessoas. Nossa empatia e detectores sensíveis estão sempre ligados e nós absorvemos todos os detalhes: os óbvios e os sutis. Captar e sentir profundamente tantas emoções pode facilmente se transformar em uma tarefa avassaladora e solitária, quando parece que somos os únicos a ter essa experiência. A solidão se intensifica quando não encontramos uma saída para liberar esses sentimentos ou ficamos envergonhados por sermos tão sensíveis.

Nos sentimos como estrangeiros em um mundo “insensível” 

 Uma vez que, pelo menos, 20% da população confirma ser altamente sensível, as PAS não são raras. Mesmo assim nos sentimos raras. Em geral, a sociedade ainda valoriza a dureza e a praticidade sobre a sensibilidade em muitos contextos  sociais, da política à empresa e à educação.

De fato, um dos primeiros estudos importantes sobre alta sensibilidade descobriu que os altamente sensíveis são muito conscientes de serem diferentes em termos de suas necessidades, prioridades e da maneira como organizam suas vidas em comparação com os outros ao seu redor.

Em outras palavras: quando você experimenta o mundo através de um filtro mais sensível, a validade da sua experiência é frequentemente deixada de lado por pessoas que não entendem sua sensibilidade. Nós, PAS, somos mais facilmente sobreestimulados, e nem todos estão dispostos a criar espaço para nossos sentimentos sensíveis. A conclusão natural a que muitas PAS chegam é que melhor estar sozinhas do que ser mal-entendidas. E então se retraem.

Isso é uma tragédia, porque talvez a coisa mais importante que impulsiona a maioria das PAS seja a necessidade de conexões significativas. Uma das principais razões pelas quais as PAS podem se sentir solitárias é quando suas interações e relacionamentos não têm substância. E o nosso constante sentimento de ser um “outsider” apenas piora as coisas. A menos que possamos parar de nos retrair e obter as interações significativas que desejamos. E acredito que existem maneiras pelas quais as PAS podem fazer isso sem ficar saturadas.

4 maneiras de quebrar o ciclo da solidão – sem ficar saturado(a) 

  1. Participe de uma comunidade online.

Para aqueles que não possuem uma grande rede de amigos, têm uma vida familiar difícil ou lutam contra a ansiedade social, ingressar em uma comunidade online pode ser uma maneira confortável de se envolver em conversas significativas. Existem grupos no Facebook que podem fornecer um senso de comunidade. Não precisa ser um grupo de PAS: você pode encontrar ótimas conexões com base em interesses semelhantes, atividades profissionais ou mesmo traumas compartilhados.

  1. Junte-se a outras PAS

Tranquilizar-se e baixar o nível de superestimulação não precisa ser feito sozinho. Às vezes, pode ser bom juntar-se a um colega PAS ou a um amigo íntimo/membro da família com quem você se sinta à vontade. Desta forma, você pode obter uma conexão humana, sem se preocupar se as pessoas vão julgar mal suas necessidades. Mais ainda, é útil ter  alguém que chame sua atenção para qualquer comportamento negativo ou de isolamento em direção ao qual você gravita. E outras PAS podem entender esses comportamentos melhor do que qualquer outra pessoa.

  1. Inscreva-se em uma aula.

A inscrição em uma aula de redação, culinária, arte ou dança facilita encontrar amigos com interesses semelhantes. Aulas são uma ótima opção para pessoas com ansiedade social, porque são menos hiperestimulantes que um evento social típico. Elas têm um horário definido de começo e fim e todos estão concentrados, principalmente, em aprender e realizar a atividade, o que deixa menos espaço para algo que as PAS odeiam: conversa fiada superficial.

  1. Inicie uma conversa e faça o papel de ouvinte.

Isto pode exigir um pouco mais de confiança, mas muitas PAS têm ótimas habilidades de escuta e observação. Aproveite-as e pergunte a sua colega de trabalho sobre o hobby que ela mencionou uma vez. Ou comece uma conversa sobre a nova foto de viagem que você viu na mesa dela. Em um ambiente de trabalho, isso pode ocasionalmente transformar relacionamentos superficiais em amizades mais profundas. E, em muitas configurações de grupo, pode levar alguém a falar de tópicos mais profundos – do tipo que você acha mais interessante que o clima.

PAS, você não é demais!

Pode ser fácil deixar sua autopercepção se torne distorcida por  suas necessidades ou sentimentos, quando, às vezes, eles parecem tão exigentes. Suas peculiaridades e necessidades únicas podem fazer com que você passe mais tempo sozinho … e está tudo bem. Você deve se cuidar da maneira que achar melhor. Mas lembre-se:

Existem pessoas como você e pessoas que querem entender você. Não permita que a visão de uma sociedade insensível sobre você – ou, mais importante, SUA PRÓPRIA visão sobre si mesmo(a) – o(a) condene a uma vida de solidão.

Beijos e bênçãos e até o próximo mês.

Traduzido de: Why Highly Sensitive People Feel Lonely

autora: Peggy Lee.

Disponível em https://highlysensitiverefuge.com

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